Início Blog Voz

Voz

Pigarro que não para: o que pode ser e quando procurar ajuda

Por Filipe Silvestre, fonoaudiólogo especialista em Voz · · 4 min de leitura

Pigarro que não para costuma ter causas comuns: secreção que desce do nariz, refluxo, uso intenso da voz ou simples hábito. Quando ele dura mais de 15 dias, vale uma avaliação com otorrinolaringologista, o médico que examina a laringe.

Ele aparece na fila do caixa do supermercado, no carro, na reunião da manhã. A pessoa limpa a garganta, sente que ainda tem algo ali e limpa de novo. Esse gesto repetido é o que mais mexe com a voz, e é por onde a conversa começa.

Por que o pigarro aparece

Na prática, o pigarro costuma ter uma ou mais destas origens, e às vezes duas juntas:

  • Secreção. O catarro que escorre do nariz para a garganta, em casos de rinite, sinusite ou alergia.
  • Refluxo. Parte do conteúdo do estômago sobe até a garganta, muitas vezes sem azia. O assunto tem texto próprio em refluxo e rouquidão.
  • Uso da voz. Falar alto, gritar ou falar por horas sem pausa irrita as pregas vocais. Professores, pastores e atendentes de telefone conhecem bem esse padrão. Quem depende da voz no trabalho pode se beneficiar de uma rotina de aquecimento vocal.
  • Cigarro e ar seco. Os dois ressecam e irritam a mucosa da garganta.
  • Hábito. Às vezes a garganta pigarreia sozinha, por costume, mesmo quando já não há nada ali.

Essa lista não é fechada. Uma pessoa pode ter secreção de manhã e falar muito à tarde, e as duas coisas se somam. Só a avaliação junta as peças e mostra o que acontece em cada caso.

O círculo que piora o pigarro

Pigarrear é uma batida forte. Cada vez que você limpa a garganta, as pregas vocais se chocam com força, e a região fica mais irritada. A irritação dá vontade de pigarrear de novo, e o ciclo se repete.

É parecido com coçar uma picada de mosquito: quanto mais coça, mais inflama. O alívio do pigarro dura pouco, e a garganta costuma sair pior do que entrou. Quem sente o pigarro logo ao acordar percebe isso com mais clareza, porque a garganta passou a noite seca e sem uso. Por isso, o primeiro passo é quebrar esse ciclo, e não fazer força para tirar o que incomoda.

Na prática, o gatilho costuma ser fácil de notar depois de alguns dias de observação. Pode ser o café da manhã, um período de muita fala ou o momento de deitar. Perceber esse padrão já ajuda a interromper o ciclo antes que ele se instale.

Como a causa é investigada

Na avaliação, o otorrino examina a laringe com um exame chamado laringoscopia ou videolaringoscopia. Com ele, o médico vê as pregas vocais e a região em volta, e indica o tratamento de cada causa.

Eu, como fonoaudiólogo, observo o jeito de usar a voz: a respiração, a força que você faz para falar, o tom e o tempo de fala. Com as duas visões, dá para separar o que é hábito do que precisa de cuidado médico.

Antes do exame, o médico costuma perguntar há quanto tempo o pigarro existe, se há azia, se você fuma, quantas horas fala por dia e se teve gripe ou alergia recentemente. Essas respostas orientam o exame e evitam tratamentos feitos no escuro.

Quando procurar ajuda

Procure um otorrinolaringologista, sem esperar, se o pigarro vier com um destes sinais:

  • Dura mais de 15 dias e não melhora.
  • Vem junto com rouquidão que não passa.
  • Sai sangue ao pigarrear ou ao tossir.
  • Há dor para engolir ou um caroço no pescoço.
  • Você é fumante, ou há falta de ar e perda de peso sem explicação.

O que fazer hoje, em casa

Estes passos são simples e seguros para os próximos dias:

  1. Quando bater a vontade de pigarrear, engula a saliva devagar, sem pressa.
  2. Se ainda incomodar, dê um gole de água em temperatura ambiente. A água não tira nada de dentro da garganta, mas acalma a sensação sem bater nas pregas vocais.
  3. Beba água ao longo do dia, em goles pequenos, e não só quando sentir sede.
  4. Evite cochichar, que força a voz mais do que a fala normal.
  5. Diminua café, álcool e cigarro nos dias de pigarro mais forte.
  6. Anote em que horário o pigarro aparece e o que você estava fazendo. Essa anotação ajuda muito na consulta.

Perguntas frequentes

Pigarro é sempre sinal de refluxo?

Não. O refluxo é uma das causas possíveis, mas o pigarro também aparece com secreção no nariz, uso intenso da voz e por hábito. Quem confirma se existe refluxo é o médico, com exame e avaliação.

Pigarrear faz mal para a voz?

Pigarrear muitas vezes agride as pregas vocais, porque cada pigarro as faz bater com força. Por isso vale trocar o pigarro por engolir a saliva devagar ou dar um gole de água.

Quando devo ir ao médico por causa do pigarro?

Quando o pigarro dura mais de 15 dias, ou vem com rouquidão, vale procurar um otorrinolaringologista. Se houver sangue, dor para engolir ou falta de ar, não espere a data da consulta. Quanto antes a causa for investigada, mais fácil fica separar o que é hábito do que precisa de tratamento.

A fonoaudiologia ajuda no pigarro?

Pode ajudar bastante no dia a dia. A fono observa o jeito de usar a voz, ensina trocas que diminuem a irritação e orienta a rotina. Cada caso é diferente, e o acompanhamento junto com o médico faz parte do plano.

A sua voz merece uma avaliação de verdade

Avaliação completa da voz, com análise acústica no computador, em casa (Anápolis) ou online. Você sai sabendo o que está acontecendo e o que fazer.

Este texto é informativo e não substitui uma avaliação individual. Cada voz e cada forma de engolir têm a sua história. Em caso de engasgo com falta de ar, ligue para o SAMU (192).

Leia também

Ver todos os textos do blog ›